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21 de mar de 2010

Entrevista Porcas Borboletas e Aeromoças e Tenistas Russas

Na próxima sexta-feira (26/03), acontece o Groselha Fuzz especial Noites Fora Do Eixo, no Bronze. Trata-se de duas bandas em turnê pelos estados de Minas Gerais e São Paulo: Porcas Borboletas (Uberlândia) e Aeromoças e Tenistas Russas (São Carlos).



Prestes a chegarem Ribeirão, falaram com o Lavoura Coletiva sobre o cenário independente e a autogestão das bandas.

Leia a entrevista do Porcas Borboletas, respondida por Banzo, e na sequência a do Aeromoças e Tenistas Russas.

Porcas Borboletas
myspace/porcasborboletas



1 – Vamos lá, a primeira pergunta sempre é a mais básica, tipo como surgiu a banda e coisas do tipo, queria inverter a ordem. Contem um pouco do que é ser uma banda independente no Brasil?


cara, esse processo de ser uma banda independente está em pleno desenvolvimento, e vai ficando cada vez melhor à medida que cada cidade desenvolve sua estrutura. no mais, a gente vive bem e com simplicidade, fazendo o que a gente gosta e quer da vida.


2 – Quais bandas vocês apontam como destaque no Brasil e quais bandas vocês acreditam que irão se destacar no cenário?


cara, tem uma cena com grandes bandas, e algumas têm propostas que têm a ver com a nossa como Cérebro Eletrônico, Mini-Box Lunar, Diego de Morais e o Sindicato, Do Amor. Uma linha muito promissora é a instrumental, com Macaco Bong, Burro Morto, Aeromoças e Tenistas Russas, Caldo de Piaba e por aí vai.

A coisa está cada vez mais vigorosa.


3 – Qual o melhor show que vocês já fizeram? Queremos detalhes!


Pergunta difícil... mas um show marcante foi o do Varadouro, no Acre em 2006. Pra ter uma idéia da vibe, uma borboleta parou voando olhando pra cara do Danislau...


4 – Contem um pouco como é fazer parte do Circuito Fora do Eixo e qual tem sido a experiência de vocês nesta nova perspectiva para bandas/artistas que é a autogestão da carreira?


Cara, é uma nova lógica em que todo mundo se percebe como agente de uma mesma cadeia, trabalhando em conjunto. Então isso muda totalmente aquela relação chata de contratante e contratado quando chegamos pra tocar em um evento linkado ao circuito. É tudo uma coisa só trabalhando pelo mesmo fim. A gente já está há muito tempo trabalhando com auto-gestão, e isso te faz entender melhor o macro-sistema do qual vc faz parte.


5 - Vocês tem uma textura melódica que beira o movimento estético do Lira Paulista, era o que vocês ouviam? São suas principais influências? Falem um pouco sobre isso.


Ouvimos sim, influenciaram sim, mas não é o caso de falar em influência principal, porque ouvimos muita coisa, música de raiz, de massa, pop, de vanguarda, erudita. Música é algo pra estar sempre com o canal aberto, o processo de recepção e criação nunca para.


6 – Como é o processo de composição no Porcas Borboletas?


Cada música é uma história, às vezes pinta de um riff, às vezes de um texto, às vezes de uma canção pronta. O que é estimulante é não existirem essas regras...


7 – O que vocês diriam para o público de Ribeirão Preto e o que vocês diriam para as bandas que estão começando hoje?


Para o público: não queremos enganar ninguém!
Para as bandas: não vão se perder por aí!

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Aeromoças e Tenistas Russas
myspace.com/aeromocasetenistasrussas




1. Contem um pouco sobre como surgiu a banda, quais são suas principais influências, e principalmente quais são suas expectativas frente a cena independente brasileira.

ATR: A banda surgiu em 2008, mas nos conhecemos em 2007 quando nos encontramos para fazer o curso de Imagem e Som na Universidade Federal de São Carlos. Cada um veio de uma cidade diferente: Juliano de São José do Rio Preto, Nilo de Londrina, Hard de Araraquara e Hooligan de Piracicaba. Isso reflete muito nossas influências.. cada um escutava um tipo de música, com alguns poucos pontos em comum. E isso foi primordial para o surgimento de nossas músicas, que reflete toda essa mistura de estilos e timbres em uma faixa. Nossa expectativa perante a música independente é a melhor possivel. Estamos tocando mais do que nunca é visível o fortalecimento da cena por todo país. Vida longa a música autoral e independente!

2. Qual é a visão do ATR sobre a autogestão da carreira, idéia que tem sido promovida e disseminada nos meios independentes?

A autogestão é praticamente o que faz existir a cena independente hoje em dia. É graças a internet que as bandas fazem os contatos, divulgam seus trabalhos e pesquisam referencias musicais e técnicas. Hoje você grava num home studio com uma qualidade impressionante, e depois disso divulga seu trabalho pelo mundo a fora.

3. Quais bandas vocês indicariam hoje como “ bandas destaque” na cena independente?

Destaques... humm... tem bandas independentes hoje que são melhores e maiores que muitas bandas da mídia. O Macaco Bong é um exemplo claro disso! Os caras fazem mais shows que qualquer um hoje, são referencia nacional. Mas pra citar alguns nomes eu diria Black Drawing Chalks, Pata de Elefante, Porcas Borboletas e o próprio Macaco Bong.

4. Individualmente o que cada membro da banda pensa sobre o futuro? A música é um bom caminho a ser traçado profissionalmente?

Decidimos levar a banda profissionalmente a pouco tempo, e a partir de agora esse é o nosso trabalho, por mais que alguns integrantes ainda façam estágio e por mais que todos ainda estejam no último ano da faculdade de Imagem e Som. E sim, a música é um ótimo caminho pra se seguir profissionalmente.

5. O que vocês esperam da turnê com Porcas e Borboletas?

Estamos na maior expectativa pra fazer essa tour. Além de ser nossa maior tour vai ser com o Porcas, que é uma banda que todos da ATR admiram muito. Excitação total!!! risos.

6. O que a banda pensa sobre o público de música independente no Brasil? Possuem alguma experiência em público no exterior?

O público e os produtores independentes estão crescendo no Brasil. É muito massa chegar em cidades de pequeno e médio porte (como é o caso de nossa cidade São Carlos) e ver que existe uma cena forte de música independente autoral. A tendencia é se fortalecer e crescer ainda mais. Vamos circular galera!!!

7. O que vocês diriam para uma banda iniciante e de música autoral? E o que vocês diriam para uma banda iniciante com qualidade, mas que prioriza o cover?

Sinceramente a questão do cover e do autoral pra gente é questão de prioridade. Ou você quer fazer o seu som ou vai tocar cover de bandas que todos da banda curtem. Cada um monta sua banda já sabendo disso e depois é ensaiar pra que o som fique bom e entrosado. Agente escolheu fazer o nosso som!

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Entrevistas: Victor Hugo - Lavoura Coletiva.